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VW Carocha - Introdução

Porsche, Hitler, Hirst e Nordhoff diz-lhe alguma coisa? Provavelmente os dois primeiros sim mas os restantes não. Estes são os apelidos dos homens que marcaram a história do Carocha. Hitler tinha uma ideia, Porsche tornou-a realidade, Hirst voltou a dar vida ao projecto depois da guerra e Nordhoff tomou as decisões que iriam tornar o Carocha na maior lenda da história automóvel.

Concepção

A ideia de construir o Carocha é de Adolf Hitler. Durante a sua detenção em 1924, concebeu três ideias para revolucionar a Alemanha, mergulhada numa crise de desemprego. Construir auto-estradas (autobahns) para veículos motorizados, construir um automóvel em massa que qualquer alemão de classe média pudesse comprar e criar uma rádio do povo.

Design

Uma empresa situada em Estugarda, dirigida por Ferdinand Porsche, após alguns fracassos e azares, é contratada para construir o carro do povo. O Volkswagen deveria acomodar dois adultos e três crianças, alcançar os 100 km/h, consumir 7l/100km, motor refrigerado a ar e custar 1000 Reichsmarks.

Após vários protótipos e muitos aperfeiçoamentos, Hitler apresentou, em 1938, a versão final do Volkswagen com o nome KdF-Wagen. Um ano depois a fábrica, em KdF-Stadt, estava pronta a laborar e com uma capacidade máxima de 150.000 unidades/ano.

A Guerra

Com a invasão da Polónia e consequentemente o início da 2ª Guerra Mundial, o Carocha foi à guerra. Foram criadas várias versões militares deste modelo. As mais conhecidas foram o Kübelwagen e o Schwimmwagen.

O Kübelwagen servia os exércitos alemães combatendo em todas as frentes. Este veículo de guerra suportava as provas mais vigorosas que nenhum carro jamais tinha conhecido.

O Schwimmwagen tinha 4 rodas motrizes e também era anfíbio. Possuía um casco estanque, equipado com uma hélice atrás que baixada podia atingir em águas calmas os 10Km/h. Este veículo foi atribuído às unidades de elite do exército alemão.

Wolfsburg

Após a alteração do nome de KdF-Stadt para Wolfsburg, pelos Aliados, a fábrica ficou sobre a jurisdição das forças britânicas e a direcção entregue ao Major Ivan Hirst. Em Agosto de 1945 a produção do Kübelwagen foi retomada a partir de peças existentes e de veículos abandonados pelas tropas alemãs. O nome KdF-Wagen foi também alterado para Volkswagen e a sua produção recomeçou em Dezembro do mesmo ano.

No final de 1947, Heinz Nordhoff foi nomeado como Director Geral da fábrica da Volkswagen, sucedendo ao Major Hirst. Nordhoff tomou duas decisões extremamente importantes aquando da sua posse: A primeira era a da manutenção do design do Volkswagem apenas com pequenos aperfeiçoamentos; A segunda dizia respeito à exportação que, segundo Nordhoff, era vital para a sobrevivência da empresa.

Karmann e Hebmüller

As versões cabriolet estiveram sempre presentes quer no desenvolvimento quer na comercialização do Carocha. O pós guerra viu duas versões cabrio: a Karmann de 4 lugares e a Hebmüller de 2+2 lugares. A Hebmüller de Wulfrath não sobreviveu durante muito tempo, entrando em bancarrota em 1952. Por outro lado a Karmann de Osnabruck manteve o seu modelo até ao inicio dos anos 80 tornando-o assim o cabriolet mais vendido em todo o mundo.

Karmann Ghia

Em 1953 a Carrozzeria Ghia, empresa de design italiana, apresenta o Type 1 Karmann Ghia. Um veículo cuja mecânica era igual à do Carocha. Em 1958 começou a comercialização do Karmann Ghia Cabriolet.

De Recorde em Recorde até ao Início do Fim

A 17 de Fevereiro de 1972 o Carocha 15.007.034 saiu da linha de montagem em Wolfsburg batendo o recorde detido pelo Modelo T da Ford como o veículo mais produzido do mundo.

Em 1974 e com as perdas anunciadas a Volkswagen decidiu lançar um novo modelo, o Golf. Assim a produção do Carocha termina em Wolfsburg e começa a do Golf. O Carocha continua a ser produzido no continente europeu até 1978 em Emden.

Em 1992 o Carocha estabelece um novo recorde atingindo o número de 21 Milhões de veículos produzidos.

O Fim e o Renascimento

O New Beetle fez a sua primeira aparição no Salão de Detroit em Janeiro de 1994. Até 1999, data do início da sua comercialização, continuou a aperfeiçoar-se mas mesmo assim muitos não o reconhecem como o sucessor do Carocha.

Com o anúncio da Volkswagen AG de parar a produção do Carocha na sua última linha de montagem no México, morre uma lenda mas o seu mito perpetuar-se-à por muitos e muitos anos.

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