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smart - Introdução
Se alguém lhe perguntar o que é que um relógio Swatch e a Mercedes-Benz têm em comum, provavelmente responde: "Nada!!!". Poderá pensar que a pergunta é uma piada. Afinal, um Swatch custa cerca de 50 euros e é feito de plástico e pequenas peças metálicas e um Mercedes, considerado um dos "melhores automóveis do mundo", em contraste, é uma máquina muito mais complexa e muito mais cara que um Swatch.
Uma União Improvável
Ambas as afirmações estão correctas mas, o grupo helvético de relógios e micro-electrónica (até 1998 SMH agora Swatch Group) e a Mercedes têm algo em comum, o smart - também conhecido por Swatchmobile. Em 1994, as duas companhias anunciaram que iriam desenvolver um automóvel inovador, compacto e económico. O novo veículo teria uma velocidade máxima de 140km/h, um consumo médio de 3L/100km e um preço a rondar os actuais 10,000 euros. O objectivo desta joint-venture era aliar os conhecimentos da Mercedes na construção de automóveis e a micro-tecnologia desenvolvida pela SMH.
Do Estirador...
O Swatchmobile é fruto do trabalho de jovens engenheiros que trabalharam secretamente, durante três anos, numa garagem em Bienne, Suiça. Conceberam um automóvel de 2 lugares que combinava todos os requisitos de segurança da Mercedes e a inovação, ao nível do design, de um Swatch. Para atingir a meta de altas velocidades e consumos baixos, o Swatchmobile teria de ser 20% mais pequeno que um automóvel citadino - seria possível estacionar de frente num comum lugar de estacionamento! Para concretizar todos estes pontos, os engenheiros desenharam um motor de 600cc, de três cilindros que poderia funcionar a gasolina, electricidade ou numa combinação dos dois e pesando apenas 1/10 do peso de um motor comum mas com a mesma potência.
Esta união improvável influenciou também os mercados. A Swatch, continuando o seu sucesso nos relógios, procurava novos mercados onde pudesse ter êxito. Tentativas como telefones, pagers/relógios e óculos de sol, não tiveram grande sucesso. Entretanto, a Mercedes viu as suas vendas cair 11% no inicio dos anos 90 devido à grande concorrência das companhias japonesas no mercado de automóveis de luxo. A marca alemã sentia que era necessário cativar novos compradores, compradores esses que não tinham possibilidades financeiras de comprar um Mercedes. Já existiam planos na marca para a introdução, em 1997, de um veículo compacto, de 4 lugares chamado "Vision A" (o actual Classe A), a um preço que rondasse os 20,000 euros.
Por outro lado, muitas companhias já haviam começado o desenvolvimento de pequenos citadinos - caso da Citroën com o Citela ou as rivais Volkswagem, com o Chico, e a BMW, com o E-1. Este boom deveu-se ao facto de correrem rumores sobre a restrições à circulação automóvel nas grandes cidades devido aos elevados níveis de poluição. Estas companhias desejavam criar um automóvel mais pequeno e que produzisse menos poluição. Para tal algumas delas já analisavam a possibilidade de utilizar motores eléctricos.
... à Realidade
A Swatch e a Mercedes criaram a Micro Concept Car AG (MCC) para desenvolver o Swatchmobile. Nicolas Hayek, o homem que conduziu a Swatch ao seu sucesso, detinha 49% da nova empresa e a Mercedes 51%. O quartel-general situava-se em Bienne, no qual trabalhavam 80 pessoas. Também existia o centro técnico de Renningen, Alemanha, onde trabalhavam cerca de 170 pessoas. As previsões para 1998 apontavam para 200 trabalhadores em cada local.
A MCC investiu cerca de 507 milhões de euros, para pesquisa e desenvolvimento do veículo, e o mesmo montante numa nova fábrica. A MCC iria produzir o seu carro em Hambach, França. A 100%, a fábrica empregaria 2000 pessoas e produziria 200,000 automóveis/ano.
Em comparação com o projecto original, os engenheiros já tinham abandonado o motor eléctrico, devido à falta de baterias adequadas, utilizando o pequeno motor a gasolina. Em vez de uma linha de montagem normal, existiriam 5 sublinhas de montagens que viriam de fábricas localizadas imediatamente ao lado na linha de montagem principal. Devido a esta opção, o carro ser montado por partes, a MCC oferecia aos seus consumidores a possibilidade de alterar algumas das características dos seus automóveis. Por exemplo, se um cliente deixasse de gostar da cor do seu carro podia recorrer à fábrica e simplesmente trocar os painéis do seu smart por outros de outra cor.
Para introduzir do smart em França no ano de 1998, a MCC começou uma campanha de rua em Outubro de 1997, com um custo de 10 milhões de euros. Esta campanha consistia em cartazes com a frase "Reduce to the max" (Reduzir ao máximo) sem alusão ao nome do carro.
O público alvo do smart eram pessoas solteiras entre os 18 e os 36 anos, sem filhos, ou casais que viviam em áreas urbanas que queriam um segundo automóvel. A MCC queria posicionar o seu carro como divertido mas também útil como meio de transporte nas grandes cidades.
Em 1999 a smart começou a mudar. A apresentação do smart cabrio e, no Salão de Frankfurt, do protótipo Roadster, mostraram um novo caminho da marca. O conceito de mono-modelo iria acabar e a marca poderia contar com um gama de modelos alargada.
Pouco a pouco surgiram outras novidades como o Coupé, o Crossblade e o Tridion 4. Todos eles com claras alusões ao que será o futuro da marca - O Crossblade já em comercialização e o Roadster e o Roadster Coupé ainda este ano.
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